Leptospirose já matou 5 pessoas em Itabuna
Mal se recupera da epidemia de dengue, com mais de 15 mil casos e nove mortes, a população de Itabuna está às voltas com a leptospirose. De janeiro a junho, nove casos foram registrados e cinco mortes confirmadas. O número de óbitos já é o mesmo registrado durante todo o ano de 2008.
Para o médico-sanitarista da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Humberto Barreto, o problema é grave, porque o cenário da cidade, principalmente nos bairros periféricos, é favorável à doença. O lixo espalhado nas ruas e jogado nas margens e em córregos e canais alimenta os ratos, que urinam e transmitem a bactéria leptospira.
Em época de muita chuva, a rede de esgoto, os rios e córregos transbordam, invadem tocas de ratos e levam a mistura de águas sujas às residências, espalhando a bactéria e contaminando moradores.
Os bairros Santa Inês, Parque Boa Vista, Conceição, Jardim Alamar, Urbis IV, Fonseca, Antique e Mangabinha são os que apresentam o maior número de pessoas com a doença e onde ocorreram as mortes.
“São locais com habitações miseráveis e em condições precárias de saneamento e coleta de lixo”, destaca a enfermeira sanitarista Flávia de Lima Paraventi Morais. Limpeza – Em maio, o Ministério Público ajuizou ação civil pública, obrigando a prefeitura a fazer a limpeza de canais e bueiros para evitar o agravamento da dengue e uma epidemia de leptospirose. Segundo a enfermeira, que atua no setor de Vigilância Epidemiológica, o município vem orientando a população como fazer a coleta do lixo, já que em alguns locais o carro não consegue passar. É fundamental, destaca a enfermeira, que não se coloque lixo nas portas de um dia para o outro, para evitar que cachorros e urubus espalhem a sujeira na rua. Também é preciso evitar a sujeira nos canais e córregos. A dona-de-casa Rita de Cássia Moreira Santos mora na Rua Bionor Rebouças, uma das mais sujas do bairro Santa Inês, onde ocorreram dois dos nove casos da doença e uma das cinco mortes. Ela toma conta de dois netos e diz que é rigorosa com a higiene em sua casa, mas mesmo assim não tem como se prevenir, porque a rua está sempre suja. Segundo Flávia Paraventi, a epidemia de dengue contribuiu para o diagnóstico tardio da leptospirose, porque os sintomas são semelhantes. Em alguns casos, também pode ser confundida com uma virose ou a hepatite, porque os olhos ficam amarelados. Por isso, é importante que o paciente fale tudo o que sente e também o local onde mora, para ajudar o médico a fazer o diagnóstico. Além da febre, dor-de-cabeça e no corpo, a leptospirose produz dor na panturrilha (batata da perna) e esse é um diferencial para entrar com a medicação correta, mesmo não tendo o resultado do exame, que vai para o Laboratório Central (Lacen), em Salvador, e demora cerca de oito dias. Segundo o pesquisador e diretor da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz/Bahia). Mitermayer Reis, os doentes menos graves são tratados com penicilina. Mas se ele chega ao hospital apresentando olhos amarelados ou com manchas vermelhas tem que ser radiografado e ir direto para a UTI, senão morre em dois dias. Segundo ele, em uma cidade com 3 milhões de pessoas, como Salvador, 10% dos doentes com leptospirose morrem de insuficiência renal. Se ele tem hemorragia pulmonar, o risco de morte sobe para 70%. A leptospirose, diz o pesquisador, é doença originária principalmente da transição demográfica, do êxoo de pessoas da zona rural para habitar nas periferias das grandes cidades, sem saneamento básico, sem coleta de lixo e sem higiene e educação.
Fonte: A Tarde